Eu escrevi esse tipo de adeus desde o primeiro dia em que você chegou. Escrevi pelo menos uma centena de cartas iguais a essa, e você soube de no máximo duas. 
As outras cartas são escritas a punho mas pela primeira vez, eu tive medo de que você nunca lesse. Eu guardo elas em um diário, como um memorial de todas as vezes em que eu sobrevivi à dias em que agradeceria não ter sobrevivido. 
Pessoas como eu ganham as horas em que os olhos continuam abertos, mas em seguida as jogam fora.
Isso não é uma promessa. Esse já é um filme antigo pra mim: deita na cama desejando ser esse o último regalo e acorda no dia seguinte de olhos inchados e um gosto amargo na boca pela derrota de ainda estar viva.
Eu não espero que você entenda. Não espero nenhuma reação positiva de você. Talvez eu também não espere nenhuma negativa. Mas me conforta pensar que as pessoas de fora do meu caos também vivam dias em que, mesmo que não tenha acontecido nada de errado, tudo continua errado em ser. Nada encaixa. Nada é mais benéfico do que o resto da maldade lá fora, e quem sabe, de dentro.
Então me faz o favor de ser feliz. Ser feliz e ficar em paz. Te pedi isso em todas as outras cartas, quem sabe você as leia. Faça o que eu não consegui fazer por mais de quinze dias. Minta melhor do que eu. Tenta não olhar com ódio pras marcas das minhas pegadas que vão ficar. Elas sempre foram tão suas quanto eu fui. Hoje não sou minha nem da vida, sou do Universo e ele vem me buscar.
Mas só faz essas pequenas coisas pra mim, se não foi mentira: 
Seja feliz, ame de verdade, fica em paz.

Te encontro do outro lado da vida
Nem que seja pra um aperto de mão.
Se cuida.
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