Você um dia já se perguntou porque é que Diabos eu estou o tempo todo evitando te olhar nos olhos por mais de cinco segundos? Eu não ficaria surpresa se todas as suas hipóteses estivessem erradas ou fossem ainda mais mirabolantes do que a grande verdade: não te olho nos olhos porque eles estão sempre tentando me dizer alguma coisa que eu desesperadamente não sei decifrar. Meu idioma de olhar está enferrujado, enquanto o seu, ainda fresco, é profundo demais pra que eu mergulhe.

Você já se perguntou porque é que Diabos sempre evito de ir ao seu encontro, mas não contenho sorriso do tamanho do universo e fico mais boba que filhote de cachorrinho quando enfim, me sinto livre pra te dar aquele meio abraço, um tanto quanto formal? Vou te contar dois segredos, talvez três: Sim, é porque eu sou orgulhosa. Mas também é porque eu simplesmente adoro ficar de longe escutando o som da sua risada: alta, sincera, acolhedora. Talvez eu também só esteja esperando uma liberdade que ninguém pode me dar além de você. Nem mesmo a minha coragem.

Porque não forçar as coisas, mesmo sentindo que no meio de todos, você é o único a demonstrar um certo desconforto com essa minha mania de pegar as pessoas com as mãos? O que fazer quando aquele menino de sorriso bonito e risada gostosa se torna o mais próximo e ao mesmo tempo o mais distante de você? Onde é que está o manual desse ser tão frio, fechado, reservado, que de repente é só carinhos e atenção, depois começa tudo de novo: frieza, timidez, distância?

Uma coisa que já aceitei que não posso cobrar de ninguém é me entender. Meu pai, minha mãe, meu chefe, meus professores, minha irmã e os melhores amigos já desistiram. Eu mesma estou tentando à anos. Sou um enigma pra todo mundo, mas vira e mexe, encontro alguém que gosta de decifrar e me permito, mesmo sabendo que talvez eu precise esbarrar em um cientista (e desejar boa sorte pra ele!).

Mas senta aqui comigo e vamos pensar: um milhão de bons motivos me afastaram de você. Nós dois somos a prova viva de que de boas intenções, o inferno deve realmente estar bastante cheio. Um milhões de explicações que eu gostaria de prestar, perspectivas de problemas que você talvez já tenha entendido, mas não sob a ótica mais importante: a da verdade. Te contar esses segredos, te explicar o porque das coisas, o funcionamento da cabeça maluca que ninguém consegue entender (a minha) e que você escolheu, só me faria sentir mais leve. Mas e todos esses dias recheados de desentendimentos que não voltam nunca mais pra nós? E todas essas chances que nós tivemos de passar o dia sorrindo e trocamos pelas nossas próprias certezas tão incorretas? 

Eu sou problema, seu moço. O cenário da minha cabeça é o caos. O desafio da minha jornada é encontrar um ponto de paz em mim. 
Apesar de saber e entender que a nossa própria pretensão (sim, a minha e a sua!) roubou da gente muita coisa boa, e apesar de ter tão pouco tempo pra consertar tudo isso (pouco demais), essa carta é pra te agradecer. 

Do conjunto de coisas que você não sabe, uma delas é que nesse curto espaço de tempo, meu ponto de paz foi você.

Obrigada :)

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