É o seguinte: some da minha cara e vai lá fora ensinar os outros a ser você.
E pode guardar esse sorrisinho sarcástico. Isso é uma ordem. Some da minha cara com as tuas imposições e essa mania maldita de achar que eu tenho que me adaptar. Pode ir embora com teus segredos e tuas histórias. Fecha a porta e apaga a luz quando sair. Foda-se. Mas não sai daqui sem dizer pra eles como me fazer dormir. Explica pra eles que eu prefiro deitar no ombro à ficar de conchinha. Fala pra eles que eu não sou fã do tradicional. Faz uma palestra pra todo mundo ficar sabendo como é que tem que fazer pra eu acordar dando risada, bom dia a bicicletas. Vai lá e olha nos olhos deles do jeito que sempre olhou nos meus, até cada um aprender como me deixar sem graça apenas com o olhar. Se tiver que pegar na cintura, problema teu. Mas mostra pelo amor de Deus, que não é força, é jeito. Vai lá fora e escreve numa lousa as palavras que eu gosto de ouvir. Se for preciso sai pintando os muros de todas as casas com a minha cor. Mas me livra de uma vez por todas do teu ir ou ficar, do teu ‘eu sou assim’, das tuas manias ilógicas cheias de sentimentos pesados demais pra qualquer um carregar.
Eu quis assumir a responsabilidade. Quis dizer que era eu, no fundo, que era bandida e queria o amor mal feito que você gosta de oferecer. Que era eu que no fundo, não sabia dar valor às tentativas carinhosas dos pobres príncipes pedindo pra jogar as minhas tranças. Cansei, sejamos sinceros: o problema aqui é você. Você que não está ali, nem nas lágrimas nem nos sorrisos. Você que entra e sai à toda hora, deixa perfume, saudade e meia dúzia de palavras pra dizer. E todos os que vem depois são versões menores e mais lentas do que os seus quinze minutos do meu lado. Isso, continua sorrindo. Mostra pro mundo o tamanho do seu ego inflado. Sai dizendo por aí que eu sou a tonta que não consegue te esquecer. Aproveita e compartilha essa palhaçada aqui. Mas continua aí, nas suas distâncias, nas suas palavras encobertas e nas expectativas. Continua esperando na terra do nunca que eu caia de joelhos e implore teu perdão por crimes que eu não cometi. Meu querido: não tem um lugar mais sombrio e solitário que uma expectativa.
Então não cansa, faz uma boa ação: Vai lá fora e ensina eles a me amarem como você (diz que) me amou. Me poupa de ter que ensinar pra todo mundo à lidar com a minha frieza e à respeitar o meu espaço. Você acha que é assim: Entra, bagunça tudo, leva a minha energia e adeus? Não Senhor. Aqui tem regras: Ou você fica pra sempre ou some. Mas vai lá fora e diz pra eles o porquê você ficou.
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