Se você quiser conhecê-la, vai ter que ficar.
Não digo conhecer as manias, os gostos, as peculiaridades que fazem dela um tanto quanto diferente de todas as outras. Estou falando de saber quem ela realmente é.
Na vida a gente sempre tem a escolha de se abrir ou se fechar pra tudo. Pedir para que essa estranha conhecida escale todos os muros dos seus preconceitos até chegar à finalmente, conquistar o seu coração, é pedir um pouco demais, darling.
Se você quiser ser surpreendido, vai ter que tomar mais um café. Da manhã, de preferência.
Vai ter que pular a parte em que determina se ela presta ou não presta porque decidiu se entregar ao desejo que você despertou na outra noite. Vamos segurar essa sentença pra daqui... Um ano, quem sabe? Se quiser ver o que realmente tem por trás da maquiagem bonita que ela fez pra ir àquela festa, vai ter que encarar um par de olhos borrados ao domingo meio dia. Ela vai te olhar com aquela cara inchada de urso panda, como quem está metade com vergonha - metade com preguiça de levantar.
Se você estiver à procura daquela mulher que vai mudar a sua vida, sinto dizer: ela dificilmente vai aparecer antes da primeira dança, do primeiro beijo e da primeira entrega. Antes disso tudo é meio que um teatro, a gente age imaginando como seria na vida real. Você pode estar cansado disso e escrever um post bem grande em guerra contra as atrizes da vida no seu facebook: àquelas que se fazem de princesas mas perdem a pose do primeiro ciúme em diante. Mas sabe quem forma essas atrizes? Você. Você que não fica mais tempo porque o pé dela não era tão pequeno. Porque a mensagem pareceu ser muito melosa e rápido demais. Porque ela ficou com ciúme da sua melhor amiga. (Quem é ela afinal?). Porque ela era muito boa na cama. (Com quantos ela deve ter dormido?). Ou não sabia fazer nada (Deitou e dormiu, sério isso?). Porque ela não entende nada de análise combinatória (burrinha, coitada). Porque ela até parece ser legal, mas sei lá, meio maluca.
Bem vestida? Patricinha. Roupa larga? É gorda, aposto. Pediu cerveja. Não pode ser boa moça. Vish, já tomou três, deve estar bêbada. Foto com as amigas: carentona, alvo fácil. Olha o texto feminista que ela postou aqui: deve ter até pêlo no sovaco.
O 'efeito Disney', doença que afeta mais da metade das minhas amigas ainda aguardando pelo então príncipe Charming à cavalo branco que nunca vai chegar, não é exclusividade delas, as mulheres. Enquanto você perde tempo tentando determinar o que cada uma das tentativas precoces e atrapalhadas do outro diz sobre o futuro, ele chega e acontece. O dia seguinte, ainda que incerto, acaba por vir e nós estamos cada vez menos dispostos à investir nele, a conhecer o outro, à perdoar um começo meio torto e apostar no que a intimidade pode melhorar dentro de uma relação. Estamos todos aguardando uma pessoa pronta que venha a surprir o mar infinito das nossas expectativas, sem ao menos parar pra pensar que nós mesmos nunca estamos prontos para o novo, o diferente, o recomeço.
Você pode sair de casa hoje e voltar com mais um vazio para a coleção por não ter encontrado a 'princesa' que estava procurando, nada impede. Mas também tem a opção de sair sem a obrigação de encontrar alguma coisa, e deixar a vida te surpreender. 
Sem regras, a escolha é sua.


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