A quantidade de aniversários que já completei pouco interfere em como isso mudou. A verdade é que a maturidade que venho adquirindo pouco tem a ver com os anos que passaram: a gente ganha lições é com a quantidade de tombos.
Nessa vida eu já quis ser grande e reconhecida. Eu queria fazer alguma coisa tão mas tão incrível, que qualquer um que olhasse nessa coisa iria associar automaticamente o meu nome e se lembrar de mim da melhor forma possível.
Eu já quis viver um amor. Mas os cinemas e as novelas estavam longe de alcançar o que eu queria desse amor. Eu queria encontrar um cara feito por Deus na mesma fôrma que eu fui (com alguns ajustes claro), queria alguém que gostasse das mesmas coisas que eu ou ainda, que me ensinasse a gostar de algo melhor. Toda vez que os meus olhos olharam para alguém e brilharam, eles estavam na verdade, imaginando tudo o que eu poderia construir com aquela nova massinha de modelar. Um homem-lego, ao qual à mim competia apenas melhorar cada vez mais.
Eu já quis ser tão inteligente, mas tanto, que quando eu abrisse a boca em uma sala cheia de doutores e magistrados, eles ficassem em silêncio, ouvindo, absorvendo o que eu tinha pra dizer. Quis ser tão bonita, que me deixar passar na sua vida, não importa qual fase você estivesse vivendo, seria uma péssima escolha, o pior dos seus negócios. Eu queria deixar as pessoas boquiabertas ao me conhecer. Queria ser a senhora alguma coisa, não importa o quê. Eu queria deixar uma pegada em cada pedacinho desse mundo, sair andando e colecionando experiências até aprender tudo o que o mundo tinha pra ensinar. Eu queria transcender, mais do que qualquer espírito um dia já transcendeu, evoluir até chegar perto do céu.
Em ser ambiciosa como eu já fui, existem dois problemas: O primeiro é que você vai precisar aprender a lidar com algumas decepções e alguns fracassos. Se você espera muito dessa vida, a dor de perder uma grande chance ou de fazer uma puta cagada provavelmente vai ser um pouco mais aguda pra você. Errar pra mim sempre foi muito mais do que errar. Todos os meus crimes eram inafiançáveis no meu próprio tribunal. Perder um emprego, não passar em uma entrevista, ir mal em uma prova, fazer a escolha errada, ser grosseira com alguém em um acesso de raiva ou qualquer outra coisa fazia de mim a minha própria juíza e na maioria das vezes, carrasca. Se você espera muito da vida, ver alguém importante seguir o próprio caminho longe do seu ou receber uma crítica pode ser desesperador. O segundo é que você pode não estar pronto para perceber a beleza dos seus resultados, e deixar todos eles passarem. Mais ou menos como quem come a comida da mãe pensando naquele prato delicioso do restaurante no centro. Como quem pisa nos lugares mais incríveis do mundo e não consegue superar a falta de casa. Viver no passado ou no futuro traz o mesmo prejuízo: rouba o que você tem pra viver agora.
A triste (ou feliz) realidade, é que não importa como você se sinta com relação aos seus fracassos: você sempre estará à mercê deles. Errar é sempre 50% de todas os riscos que você toma, e quase sempre 100% quando decide não tomar. Custei à perceber que não eram meus fracassos que me definiam, mas meu medo terrível de arriscar e errar mais uma vez. Aos poucos, fui entendendo que abrir mão de algumas coisas que pareciam ser os mais nobres objetivos e baixar as expectativas não era de tudo, desistir. Ao contrário: ao esperar menos da vida e de mim, e ao perceber que tudo o que me tornei de bom e de ruim até hoje era um produto do que aprendi com os meus erros, ficou mais leve de viver e mais fácil de identificar as minhas conquistas.
Eu já quis muita coisa dessa vida. Mas então olhei pra dentro de mim e vi que haviam muitas palavras suspensas parecendo amor e poesia. Criei esse espaço pra dividir elas com o mundo e apesar de não ser a blogueira mais famosa ou mais reconhecida, cada vez que um texto meu fala com o coração de alguém, sinto um dever cumprido dentro do peito.
Eu já quis viver um amor perfeito. E por conta disso, deixei as melhores chances irem embora. As lições que eles deixaram e a saudade fazem parte de quem eu sou.
Já quis conhecer o mundo todo. Mas depois que passei a me preocupar em de fato, viver o melhor do lugar onde eu estou, até a cinza São Paulo virou meu mais inesquecível cartão postal.

Eu já quis muita coisa dessa vida.
Hoje eu só quero viver em paz.
E o mais engraçado nisso tudo
É que nunca fiz tantas conquistas
Depois de deixar de querer,
e começar a viver.


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