Em uma população de 7,2 mil milhões, e chega a dar um nó na cabeça tentar dimensionar quanto é “mil milhões” de alguma coisa, era de se esperar que nós não fôssemos todos iguais. Cada um de nós vem ao mundo com uma espécie de sede, carrega no peito uma vontade única e irrefreável, que não é igual à de mais ninguém em todos esses milhares de milhões de pessoas. Cada um de nós possui uma visão, carrega uma bagagem feita de experiências que formam os tijolos daquilo que somos. O cheiro da comida da mãe, o primeiro gosto salgado da água do mar, o sonho que não aconteceu e logo em seguida, perdeu a importância; o último beijo apaixonado... Tudo isso influencia e nos forma, amplia essa nossa visão sobre as coisas e quebra as barreiras do nosso horizonte pessoal, que é o limite daquilo que seremos capazes, nessa vida, de compreender e de vivenciar.

Há quem acredite que não fomos feitos para viver essa jornada sozinhos. Eu acredito que, se passou de mil milhões, já não existem essas regras. Muitos de nós começam e terminam sozinhos e ainda assinam o fim da própria história muito felizes com o resultado. E muitos de nós só reconhecem essa felicidade depois de um encontro de almas.  A gente quer alguém que possua, no mínimo, um horizonte do mesmo tamanho do nosso. Alguém que consiga compreender o que pra todos os outros sempre foi defeito ou loucura. Alguém que ache uma graça aquela mania irritante e que, de alguma maneira mágica, saiba exatamente a hora certa de simplesmente estar ali.  

Quando isso acontece, e para quem isso acontece, a vida ganha um sentido maior e de diversas maneiras diferentes. Somar dois horizontes é ganhar a capacidade de ver e de ir mais longe. Conheço pessoas que encontram esse “par” uma vez por ano, outras que nunca procuraram e acabaram tropeçando nele por pura sorte. Existem os que encontraram esse sentido maior em si mesmos, e até os que morreram sem encontrar.  

Passamos a vida buscando esse encontro com aquele que vai mudar as nossas vidas e encher os nossos corações de motivo pra ser ainda mais feliz. Mas o que realmente nos marca são os desencontros. Ah, esses nos mudam para melhor! São os desencontros que nos fazem reavaliar os caminhos, ajustar os conceitos, mudar a direção daquilo que somos e acreditamos ser. Quem fez você pensar no que havia de errado não foi aquele que passou meses do seu lado, mas o que não te ligou. Quem coloca você para avaliar o mundo de dentro e o de fora, é aquele que parece não estar interessado. Muitos desses desencontros são apenas uma escola que prepara a gente para o melhor que está por vir. São as nossas experiências que nos tornam um ser inteiro, e sendo inteiro, somos capazes de somar muito mais.

Então não se pressione. Você tem o seu tempo, e a sua jornada que são únicos no meio de todos esses milhares de milhões. Fazendo o certo, você dá passos pra frente e errando, aprende como andar. Mais dia, menos dia, você vai descobrir em uma viagem, um filho, um curso, um trabalho ou até em um amor da cara redonda e nariz empinado, a soma que estava faltando.

Eu acredito.

E você?


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