Acordar numa segunda-feira de frio e chuva com uma espreguiçada e um sorriso bobo na cara.
As pequenas asperezas do dia se tornam tão, mas tão pequenininhas, que a cotovelada que você toma daquela velha mal humorada no metrô toca como uma pétala, ou como nada, às vezes você nem percebeu. 
Você precisa admitir que tudo o que passou a fazer durante o dia foi meio que no piloto automático, passou tudo para o segundo plano. Sua mente e seu coração de boba estão concentrados a aguardar o telefone vibrar e uma carinha feliz amarelinha aparecer na tela. É quase impossível deixar de acompanhar aquele sorriso simpático, e a intenção era mesmo essa. 

Estive pensando em amor, em tempo, em sorriso e em lágrima. Estive pensando nas voltas do mundo e também em Deus. Ando querendo dar nome ao motivo desse sorriso bobo que me acompanha e que, diz a minha razão, esse motivo nem deveria existir.
A gente sempre quer separar as coisas. Dividir o que não se separa e etiquetar os líquidos da vida. O que vai mudar se eu disser que amo ou que sou apaixonada por? Se for uma questão de intensidade, eu amo mais, ou amo menos? Estou apaixonada, mas nem tanto? Gosto, porque amar é um tanto pesado de se ouvir? 

Eu vou contar pra vocês, meus filhinhos, o que é amor e o que é paixão:
É a mesma coisa
Só que com uma diferença
Amor é quando você pára na frente de um precipício, fecha o olho, e se joga.
Paixão é quando você está caindo.
Amor é o motivo pelo qual você não tinha medo
Paixão é o seu medo de cair contra sua vontade de se jogar.
Normalmente quem vence é a vontade,
Á não ser que você passe a vida pendurado.

Um dia você vai cruzar o olhar com um par de olhos mais claros que os seus. E outra pessoa, com seu par de olhos escuros e profundos igual a um oceano. Ali não adianta ficar em silencio, ou conter as palavras: suas almas já vão estar conversando, trocando idéias, pedindo pra chegar mais perto.
Esse é o seu penhasco. E adivinha? Você vai pular várias e várias vezes, mesmo sabendo que o final pode ser uma rocha fria e dura onde você vai dar de cabeça. (De novo)

Mas chega de metáforas por hoje.
Na prática, aquela dor insuportável da distância, aquela ausência que incomoda mais do que dente do siso, as cartas, os motivos e discussões, tudo aquilo que pareceu ser eterno demais, acabou.
Aquelas aulas intermináveis de física e química, pareciam levar a vida embora, mas acabou. (E você ta aí morrendo de saudade).
Aquela época boa de pé descalço e desenho na tv da sala, também sentia como se fosse eterna, e olha pra você. Adulto feito, e o mesmo coração.
Aquele amor amigo, com gosto de bala de goma roxa (que são as melhores, e ai de quem discordar), a gente prometeu amar pra vida inteira, foi embora terminar a faculdade.

A paixão é aquilo que vai,
Mas dói tanto, que a gente acha que nunca vai parar de doer
E fica até um tempo sem pular do precipício de novo.
Um dia a gente acorda, e de repente
Só tem uma cicatriz.

O amor é aquela coisa que sentou do seu lado
E vocês ficaram conversando sobre o tempo,
a chuva, a faculdade, o emprego novo,
o trânsito, o sexo, as escola das crianças,
o óculos, o vestido, lembrar de tomar o remédio,
o médico no hospital.
Um dia você acorda, olha pro lado,
e ele ainda está ali. 
Dá um bocejo banguela e reclama da dor nas costas.
Você respira fundo, e sorri por dentro
Lembrando daquela carinha amarela na tela do seu celular.



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