No mundo eu escuto sempre uma porção de definições sobre o que é amar alguém e sobre quem nós deveríamos procurar para chamar de meu amor. O que não faltam são textos que começam com “O amor é” ou “Procure um amor que”. Eu tentei seguir à risca esses conselhos quando finalmente te encontrei e por um par de anos, acreditei que eles estavam certos. Vivi com você o que reproduzem por aí nas telas do cinema, com efeitos especiais e tudo. A gente cozinhava junto e lançava um pro outro aquele sorriso que denuncia cumplicidade, aquele olhar de quem vai muito bem, obrigada. Passei esse tempo todo sorrindo sozinho na rua sem contar pra ninguém, pelo menos não com as palavras, que o motivo de ser boba era você. No fim eu gostaria que a vida fosse ainda mais parecida com a arte, ou pelo menos a imitasse melhor, e tivesse nos dado um felizes para sempre depois de alguns problemas, mas não é assim que funciona né.

Te amar foi te deixar ir. Te liberar para viver os seus sonhos e resolver os seus dilemas. Te amar foi te poupar de mais uma centena de discussões por pequenas diferenças e aceitar que, apesar de nos darmos muito bem na cama, não nos dávamos bem na vida. Te amar foi entender que o meu sonho de construir uma casa de paredes cor de rosa no interior não era compatível com o seu de caminhar o mundo com mochila nas costas. Que entre nós não cabia meio termo, e que te prender frustrado ao meu lado mataria as coisas bonitas que construímos juntos mais cedo ou mais tarde.

Te amar foi aprender a viver sem o som da sua voz rouca de quem acordou tarde e sem as suas novelas. Aprender a parar de esperar o meu celular vibrar com uma mensagem sua. Eu só decidi começar a me permitir uma centena de dias depois que você se foi, porque foi complicado aprender a não acompanhar de longe os seus passos. Segui à risca todos os seus conselhos e fiquei ali, lutando contra a verdade de não te ter por perto.


Eu sei que você nunca vai concordar comigo e sempre vai acreditar que existe alguma forma de manter as nossas promessas e os nossos laços. Muitos dizem por aí que almas dispostas não precisam de desculpas, que para amar basta querer e que nenhuma barreira é maior que um sentimento verdadeiro. Assim como os finais felizes dos filmes, eu gostaria que essas sentenças fossem verdade. Mas foi exatamente por te amar, que decidi abrir a porta e não te desejar nada mais que felicidade e uma boa dose de sorte. Não precisa se preocupar. Eu continuo sujando as meias pela casa com a diferença de que agora lavo elas sozinho. Tomo meu remédio na hora certa, ou quase. Parei de tentar ler sem os meus óculos. Ok, mentira.
Meu coração vai seguir em frente, talvez até amar de novo. Mas o pequeno pedaço que é teu vai estar aqui.


Comentários
4 Comentários

4 comentários:

  1. Que texto mais lindo! Passei por algo parecido. O triste é se dar conta de que por mais que queremos que a pessoa fique por perto, o destino dela é caminhar cada vez mais pra longe.

    http://www.bilhetedagarrafa.com.br

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    1. Destino é esse filme complicado que a gente assiste e só entende no final, né? Que bom que você gostou do texto! Teu blog é Lindo! Parabéns :)

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  2. Isso é o que eu chamo de Amor._
    Belo texto: singelo e belo.
    Parabéns e um grande abraço, Bharbara!

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