Hit the Road Jack.



Em trinta minutos escrevi a minha vida em pequenos rabiscos de tinta preta e notas da Clarice Lispector. Estava bagunçado como deveria. Sem nexo, começo, meio ou fim. Tentei falar sobre qualquer coisa que não fosse a cor dos seus olhos ou o gosto azedo de saudade que me acorda de manhã. Já meio que encheu o saco né? Mas vira e mexe, na minha história, aparece um vestígio, uma frase que não é Lispector nem Abreu, que é só nossa e que algo em mim quer acreditar que você ainda é capaz de entender. Você me faz querer o dom de escrever para o passado. De entrar em contato com o seu antigo eu que morreu em alguma parte desse novo frio olhar. Tô aceitando os contatos de qualquer médium, mas pra ser sincera, ainda não vi quem seja capaz de falar com mortos que na verdade ainda não morreram. Ainda não vi coisa mais patética do que essa necessidade de te ressuscitar.

Pode ser qualquer motivo, eu não ligo. Pode ser que eu esteja tentando fazer a madre Teresa e encarando a sua recuperação como uma missão que na verdade não é minha. Pode ser que o resto do mundo esteja certo e eu precise parar de negar que ainda não te superei. Pode ser que eu esteja entediada, nesses últimos 6 anos, e que esteja inventando problema pra me preocupar. Mas assim como as coisas mais bobas eram sempre seu motivo de dramáticas novelas, te olhar e não te ver é o que acende o drama em mim. (Te olhar e não te ver, te ver e não te querer, alô Skank?).  
Depois que você derrubou as pontes, fechou as entradas, se enterrou mais fundo dentro desse teu castelo; observar o que você faz daqui do meu ponto de vista é sempre tão ilógico que dá vontade de gritar, de correr, de ir pra cada vez mais longe da tua confusão. Até me lembrar que dessa confusão, infelizmente, eu sou a única perita.

Metade de mim são porquês suspensos que talvez nunca terão resposta. Não que eu esteja sem esperanças de que um dia, você vá entender que a vida não perdoa histórias sem ponto e problemas suspensos. Eu acredito que mais cedo ou mais tarde uma de nós duas vá te acordar com uma mão na cara ou um beijo. O que eu começo a duvidar é que alguém ainda seja capaz de despertar o melhor por trás da capa cruel e da máscara de fortes mentiras na qual você se esconde.  


Porque será que eu ainda me importo em não te ver dar passos pra trás? Porque será que eu ainda preciso te ver dar um sorriso de paz que seja sincero, mesmo que à milhas de mim? Quando foi que eu fiz a burrice de condicionar tua paz na minha? Eu deveria mesmo aceitar que você não pode me ouvir e nem está disposto a abandonar o disfarce de super herói? Os teus muros parecem mais altos e mesmo assim não me metem medo. Não sou curiosa, mas apenas por saber exatamente o que há por trás deles.  Mais dia, menos dia, Theo; o único capaz de derrubar essas paredes será você. E eu não posso prometer, apesar de saber que sim, que eu estarei ali te esperando.


Comentários
1 Comentários

1 comentários:

  1. Bharbara.
    Desprezar e amar...Difícil combinar!
    Ou não sei somar? - Fico a me perguntar...

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