Estou jogada no banco da sala de embarque. Não tirei os óculos nem dei nenhum sorriso até agora. Não que seja de propósito, mas aquele jeito rebelde que você me continha parece piorar quando estou longe da tua vista.
Logo vamos embarcar, eu e os estranhos, pra mais um destino cheio de aventuras. Encontrei finalmente um trabalho que me supre daquela sede de descobrir.
Pronto, dei um sorriso involuntário. Lembrei de nós dois na cama, falando bobagens sérias sobre um futuro que, quase com certeza, seria nosso e não meu e seu. 
A gente era tão parecido que quem via de perto chamava de irmão. Não fosse pelos beijos apaixonados na calçada, nem pelas mãos entrelaçadas que nem o calor fazia soltar, não fosse pelas vezes que mal dava tempo de chegar em casa, não fosse pelo sorriso largo que meu coração dava ao escutar seu nome... Até que eu poderia te chamar de irmão. 
Você negaria, é claro. Se eu bem te conheço, o mundo pode dizer o que quiser. Mas nós somos mesmo parecidos em quase tudo: temperamento, idéias, expressão, liberdade, orgulho. E apesar de tudo não posso negar que quem plantou as sementes daquilo que sou de melhor hoje, foi você.
Ainda não encontrei uma alegria que chegasse perto daquilo que fomos. Algo tão simples como só estar ali por perto, junto. Já tive alegrias que, segundo o mundo, deveriam ter superado esses momentos bobos com você. 
Lembra daquela história de férias em Veneza? Pisei. Passar uns 15 dias no Marrocos parecia impossível. Eu fui. A Itália me lembrava seu jeito e seu cheiro. A espanha o seu gênio ruim. Só não fui ainda para o Sri Lanka e para a Conchinchina por causa da alta do dólar.
Ás vezes, meu amor (que saudade de te chamar assim!)
Paro e penso em como almas tão parecidas
Poderiam ter essências tão opostas.
Você queria estabilidade e segurança. Eu queria tudo, menos isso.
Você queria o conforto de viajar. Eu queria as lições que esse desconforto carrega.
Você queria sorrir pro destino. Eu queria curtir a viagem.
E cada um de nós teve que ir em busca do próprio caminho. 

No meio dessa sala de embarque,
Enquanto o filme de todas essas viagens passava pela minha cabeça,
Te vi andando em um caminho paralelo ao meu.
De repente você pára e me lança um sorriso. Aquele com covinhas e tudo.
Meu peito gritou sem fazer barulho.
Sentei direito naquele banco
Cruzei as mãos
Rezei.

Eu quero que você saiba que estou indo te buscar.
Isso mesmo, tô indo agora.
4 mil dólares em passagens estão rasgadas ali naquela lata de lixo, e nem senti!
Vou sentir se embarcar em outro avião sem você.
Mas é o seguinte: arruma as malas.
Diz pro otário do seu chefe que você não precisa disso.
Liga pro seus pais e peça desculpas por mim.
Eu tô indo te roubar dos sonhos cinzas que te venderam
E te ofereço em troca uma vida nada fácil de incontáveis aventuras.
Eu estou determinada em te levar comigo
Mas não só no peito. Não só nas lembranças boas. Não só no sorriso sem querer.
Quando você ouvir o meu bater na sua porta
Esteja preparado.
Não vou estar de joelhos. Não vou derramar uma lágrima.
Vou estender a mão mais um vez
Como sempre, você se lembra?
E te fazer aquela oferta.

E aí,
Vem comigo?


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