As tuas mãos são como estrelas cadentes. Elas deixam um rastro de luz onde tocam. Eu gosto de olhar no espelho e imaginar essa luz em mim.
Os seus olhos claros penetram como duas facas. Eles contam histórias. Expressam aquilo que parece ser desnecessário ou impossível dizer.
O seu sorriso parece um cheiro gostoso de pão logo pela manhã. Pode estar tudo ruim, até o tempo: melhora com um sorriso teu. Olhos, lábios e dentes trabalham juntos para deixar o mundo calmo por 5 segundos. E o meu faz questão de parar pra te assistir.
Eu vou ficar aqui com essa luz e com a lembrança do seu par de olhos. Vou desenhar um rio com os meus. Pode ser que eu passe um tempo mergulhada nele, pode ser que não.
Dizem que os soldados quando se ferem amaldiçoam tudo por causa da dor. Então não fique triste se eu soltar uma ou duas palavras amargas quando você for embora.
Eu vou usar essa dor como inspiração e contar histórias bonitas para crianças de vinte ou trinta anos sobre como é amar alguém. Sobre como é ter um universo inteiro sobrevivendo sobre um frágil batimento cardíaco que não o seu. E como aprendemos o quanto somo pequenos ao nos dar conta de tudo isso.
Eu já disse adeus vezes antes de você chegar. Todas elas foram parecidas. Você acha que vai doer menos por já ter experimentado, mas talvez seja só medo de aceitar que vai doer do mesmo jeito. Ás vezes evito seus olhos porque, quando se cruzam, preciso aceitar que é pouco tempo perto de você. E ás vezes os procuro justamente por isso.
As pessoas na rua vão de certo pensar que eu sou louca, se toda vez que pensar no seu sorriso acabar cedendo um meu também. Quem sabe essas pessoas não estejam certas? Quem sabe, num mundo como o nosso, não seja melhor ser louco e amar? Louco e acreditar?
Não, não se preocupe. Eu não vou ser dramática. Essas confidências eu guardo pro meu travesseiro. Eu só quero que essas crianças crescidas tenham idéia de quanta sorte é ter na vida uma estrela cadente como você.





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