Eu te amo, disse o mendigo na praça.
Disse o padeiro,
O amigo,
Aquele colega chato do trabalho.

Eu te amo, falou uma vez um ex-quase amor.
Mas não durou nem uma semana
Não passou daquele dia
Nem daquela vez.

Pousou em cima de mim
Como se voasse um elefante
Aqueles dois olhos escuros brilhantes
E disse
Suspirou
Tremeu
ou o sei lá o quê
"Eu te amo".

Olhei pra ele (ou pra ela)
Como se não olhasse,
Ou como se mesmo olhando não visse nada.
Pensei "porquê?"
Mas respondi "eu também".
Daí ali nós dois fizemos uma promessa sem efeito
De nos amarmos sem saber o que isso realmente significava. 
Passou.

Um dia desses encontrei um cara que me chamou pra tomar um café. Não como quem gosta de café, mas como quem gosta de você. Topei. (tava fazendo nada mesmo).
Passou.
Depois de uma semana, olhei pra ele
Com aquele par de olhos pequenos, escuros, pesados
"Eu te amo".
Ele riu. Não como quem desacredita do impossível, mas como quem é amigo dele.
Não veio nenhum "eu também".
Acabou, eu pensei. Esse cara não me ama. 
Não me tira do chão, nem me fez chorar (que desaforo!)
Bloquei no whatsapp e assim desfiz nosso romance de café.

No dia seguinte, tocou meu telefone.
"Pode recusar um café, mas duvido não aceitar uma cerveja".
Daquele dia
E até hoje 
Eu soube,

Era amor.

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