Eu sou menino, apesar de homem feito, e ainda tremo diante da sua presença simples. É tão simples que chega a ser incrível, e por ser incrível, me rouba os atos e as palavras.
Eu sou o menino que não sabe poesia, que não consegue dizer o quanto te ama de outra forma que não a de te fazer de boba, de te debochar as sardas, de te levantar o vestido. Eu sou o menino que implora sem pedir por qualquer migalha da tua atenção. Sou o menino que morre de medo de você saber que tenho medo. Que sou de carne. Que minha capa de herói não passa de um pano vermelho, e que com ela não posso voar como faço com um beijo teu. Sou o menino-homem da tua menina-mulher. E quando eles se encontram... Ah, quando eles se encontram... Você bem sabe.
Eu já era menino antes de você chegar. Mas esse era um segredo guardado à sete chaves contra o mundo, ninguém podia saber. Da primeira vez que coloquei meus olhos arteiros nos seus olhos redondos igual bola de gude, não pude contê-lo dentro de mim. E quando eu te provoco, seja daquela maneira séria que te enlouquece, seja daquela boba, que te conquista; não passo de um menino te chamando pra brincar.
Ainda não descobri qual é o feitiço que você usa para deixar a minha segunda-feira leve só de me contar que vem me ver no sábado. O que será que você jogou em mim pra me fazer sorrir sozinho numa quarta-sem-graça-que-não-chega-logo-a-sexta? Virei um menino tonto que dorme à esperar os dias recarregarem até te ver de novo.  Talvez seja minha chance de abandonar por um tempinho o homem sério de terno e gravata que eu vejo no espelho. Talvez seja o meu momento de esquecer por duas horas que o mundo não é assim tão simples como parece ser ao teu lado. Ou talvez seja só esse seu sorriso mesmo.
O que eu posso te dizer
É que você faz de mim
O mais feliz entre os homens
E o mais contente dos meninos.
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