Se amor era pedir pra você ficar, desculpa.
Mas pra mim era seu ego quem me dava as costas, fazendo birra feito criança, não você.
Eu pediria pra você ficar mil vezes. Mas torcia sempre pra ver seu ego indo embora de mãos dadas com seu orgulho.
Se era amor deixar você pagar, desculpa.
Mas eu sonhava com um amor daqueles onde cada um coloca uma pedrinha
E quando percebem já são rei e rainha de um castelo próprio feito de dois.
Se era amor apenas ser mulher desculpa.
Mas não tenho previsões de quando meu lado menina vai deixar de me influenciar.
Acreditava, e mais do que isso, sabia; que todo grande amor custa uma dúzia de sorrisos e rouba uma centena de lágrimas, mas só de quem estiver disposto a pagar esses preços.
Porque as histórias bonitas são construídas de beijos e abraços, mas também de lágrimas e palavras ditas sem pensar que desejamos, no segundo seguinte, devolvê-las à boca. De ínumeros desejos aos quais deixamos de ceder, mesmo que quase tão fortes quanto nós mesmos. De dizer não à rostos bonitos e almas gêmeas que aparecem num caminho já ocupado dentro do peito. Sabia, e quase isso, acreditava na intuição de que não se faz amor com expectativas subentendidas. Nem mentiras. Nem influências.
Porque deixar a porta aberta era a mais sutil das provas de amor. E porque, por mais que não se prove, sob qualquer circunstância, não se força ninguém a ficar. Não se força ninguém a ouvir. Nem a entender, nem a aceitar. Não se força ninguém a amar. A continuar tentando. A acreditar no que se diz, no que se sente, no que não vê.
Te deixar ir não mudou fatos nem detalhes. Continuaram existindo gritos que só você é capaz de ouvir. Continuaram existindo arrepios que só você é capaz de causar. Eu não tive a sorte de conversar de novo com alguém só pelos olhos, nem de dividir a paz única de simplesmente estar por perto. As novas histórias que eu vivi depois de você exigiram flexibilidade e adaptação. Eu demorei a me convencer que seria infinitamente mais fácil, e mais provável; encontrar beleza em outro olhar do que continuar buscando o seu. Demorei a me acostumar com a mão mais leve ou mais forte que a sua. E há coisas que ainda estou tentando me acostumar.
Mas nada disso é tão frustrante quanto perceber
que deixar você ir
Também não mudou você.
E quando você me lançou aquele maldito olhar de novo, senti meu coração afundar. Porque eu acreditava, e mais do que isso, ouvia meu sexto sentido dizer, que ao te deixar ir, abriria caminho pro seu sorriso voltar. Que você estava indo finalmente ser feliz. Que havia seguido o seu caminho longe do meu. E que eu te encontraria sim, daqui a dez anos, e teria orgulho de quem você se tornou, mesmo sem mim. Mas mesmo depois de todos os dias que passaram, você me olhou da mesma forma, e me disse as mesmas coisas, só que sem as palavras certas.
Então me diz, só me diz:
Pra
que
ir
E ficar ao mesmo tempo?

Pra que soltar
e continuar segurando?
Pra quem você
esteve, esse tempo todo (Meu Deus, pra quem?)
Tentando provar que é forte?
Quer falar de lógica?
Então me explica
qual é a lógica
De alguém
que enfia uma faca no próprio peito
Pra poder dizer que sobreviveu
a uma puta dor?

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