Ao acordar, apenas consegui abrir os olhos.
Nem sequer movi o meu rosto do lugar.
Fixei a visão em um ponto no horizonte e fiquei ali imóvel por certo tempo,
Esperando que a guerra entre meus pensamentos e minhas sensações terminasse,
E a minha mente se tornasse um campo de batalha vazio.
(Não sei dizer por qual dos dois eu torcia).
Isso acontece mais frequentemente do que eu gostaria,
Ou do que estou disposto à admitir.
Mas hoje...Só por hoje...Sei lá, tô cansado.

Esses pensamentos,
E essas sensações,
Lutando dentro de mim,
São afogados pelas inúmeras tarefas do meu dia,
Mas eu não posso dizer para o espelho do banheiro,
Ou o dos olhos das pessoas,
(embora talvez eu diga, pra facilitar),
Que eles estão superados.
Se você, meu amigo que está lendo esse desabafo,
Já tentou afogar um dos seus fantasmas,
Também já conhece a sensação de surpresa
Ao descobrir que os malditos nadam muito bem.

Eu não tenho raiva do som da sua voz.
Não tenho raiva dos seus olhos nem de ter saudade deles.
Não tenho raiva dos lugares onde eu piso que me lembram você.
Talvez eu tenha raiva de algumas lembranças, sim.
Mas talvez “raiva” nem seja a palavra certa.
É ter que acordar todo dia
Ansioso pra olhar o sol pela janela
E não conseguir ver ele brilhar.
É ter que me convencer
De que ele ainda está lá
Mesmo sem conseguir vê-lo
Na esperança de que um dia ele realmente esteja.
E outras metáforas.

Na outra noite eu tive um sonho,
Onde eu olhava de novo nos seus olhos.
Carregava uma mochila pesada
Cheias de coisas que eu gostaria de dizer.
“Olha, aquilo que você disse me machucou”,
“Olha, eu não consigo te entender”,
“Olha, batizei meu travesseiro com seu nome só pra parar de me confundir”,
Só que ali naquela hora,
Tomado pelo cansaço de lutas internas diárias
Resolvi soltar a mochila no chão
Cruzei os braços e te disse “Oi”.
Você,
Me disse palavras doces
Tentou me ouvir
Quis me convencer que aquilo tudo era importante demais
Pra jogar debaixo do tapete.
Desculpa,
Eu tava cansado
Não acreditava mais
E em uma das poucas vezes que fui frio
Acabou saindo natural com você. Por que, né?
Desculpa,
Porque no sonho
Eu só te dei as costas
E continuei andando
Porque eu sabia que ia precisar de força
Pra acordar outro dia
E esperar mais uma batalha acabar.

Até quando, né?

Comentários
0 Comentários

0 comentários:

Postar um comentário