Eu poderia passar um dia inteiro sem muita coisa da minha rotina, menos sem escrever. Quando eu descobri o bem que isso me faz, eu decidi não vincular meus textos à qualquer expectativa, mesmo os que são publicados. É, eu não escrevo pra um público determinado mas conheço bem o meu público. Escrever é quase terapêutico pra mim, eu sempre me considerei melhor nas letras do que nas palavras, e fico imaginando o que as pessoas que não gostam de escrever fazem pra se livrar de tantos excessos que a mente produz. Mas mesmo as pessoas que não se consideram bons escritores sempre procuram as letras pra se expressar, ainda que não seja de autoria própria. Esses textos que eu publico aqui são os meus textos mais pensados e comedidos. Aqui é um dos poucos lugares onde as minhas palavras tem mais de um significado, onde há frases nas entrelinhas, onde eu escondo significados que poucas pessoas conseguem encontrar. Eu acho que a maioria saboreia a oportunidade de se dizer, por meio das letras, por meio de um status na rede social ou mesmo numa citação, uma verdade para alguém que não quer escutar. Eu mesma já cometi vários desses pecados e não me orgulho deles. Mas as palavras escritas são copo de água fria em dia quente, sem o trabalho de ter a opnião solicitada, você apenas a oferece ali, para quem quiser vestir a carapuça.
Se parar pra perceber, acabamos usando essas novas ferramentas como uma guerra de entrelinhas: todos dizemos verdades escondidas em pequenas frases, todos usamos indiretas para evitar o desconforto de olhar nos olhos de quem causou o incomodo, todos expressamos algum tipo de dor, de preocupação, de saudade ou de tristeza, numa letra de música ou numa foto, porque no fundo nós acreditamos que ninguém se importa de fato com tudo isso que sentimos e tentamos expressar desesperadamente, uns sobre os outros, os outros sobre nós, todos. E é verdade? Quantas pessoas você tem a confiança de dividir aquele problema bobo, fútil, pequeno, ou que já dura anos e todos esperam que você já tenha esquecido? Poucos, muitos, seus pais, seus irmãos, um amigo? 
A única coisa que eu sei, é que essa guerra de entrelinhas já me cansou, e não penso que tenha sido só à mim. Eu trocaria mil vezes a oportunidade de dizer "eu amo você" pros olhos de um certo alguém do que passar a semana postando frases e fotos sobre amor, com a esperança de que a mensagem seja entregue ao destinatário certo, contando com a curiosidade do outro. 
As redes vieram com a proposta de melhorar e maximizar a troca de informações real, a que ja existia antes por meio das cartas, telefonemas, cara a cara. Aos poucos, o que estou vendo, é que a rede já é a alternativa única que muitos tem de falar uns com os outros, e o que é pior: indiretamente. Não acredito que eu possa mudar o mundo com as minhas singelas palavras escritas, mas eu espero que o meu texto deixe você com uma vontade enorme de desligar o computador e ligar pra ela ou pra ele. De ver a família, de dizer pra cara de alguém o quanto você ficou chateado, de abraçar de novo, de dar risada junto, de tomar bronca da sua mãe, de conversar com seu pai mesmo que só com o olhar. Perder uma pessoa viva é uma das piores sensações que eu ja experimentei porque todas essas pontes já deixaram de existir. Pra mim, com muita gente, o status do facebook tem sido a única saída.  Meu conselho é não deixar as suas pontes caírem também.

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