Quanta coisa cabe num curto espaço de tempo? 
Tipo, 10 segundos? Você já parou pra pensar em tudo o que pode acontecer em 10 segundos? Um beijo roubado. Uma explosão. Quebrar uma perna. Receber a notícia de que ganhou na loteria. Sofrer um acidente. Descobrir que está esperando um filho. Dizer "eu te amo". Perder alguém. Se perder.
Você talvez já tenha, também, parado pra perceber como o tempo passado parece ser tão curto, pouco, pequeno. Porque quando o dia é dificil, quando a boa notícia não chega, quando você precisa segurar o choro, ali no presente, o tempo parece ser tanto que demora a passar. Mas depois que tudo isso acaba, e você olha o pôr do sol pela janela, lembra do tempo? Aquele que parecia infinito? Nossa, como foi rápido olhando daqui, não é?
Muita coisa mudou desde o primeiro texto que eu escrevi aqui. Em mim, na minha história, na história de muita gente, na minha visão de mundo, em quem eu sou. Por isso eu gosto de escrever e reler os meus textos depois de muito tempo. O que era tão importante e tão indispensável, não é mais.
As certezas, os medos, as perguntas, foram superados e deram lugar aos novos. Cada vez menos em número e em menor intensidade.
Eu sou uma mulher agora. E essa não foi uma decisão própria, eu garanto. Eu sinto muita falta daquela menina de antes. Ela era imatura, me fez passar vergonha, perder coisas e pessoas, arriscar a vida. Mas a saudade que eu tenho dela é de possuir uma capacidade muito maior de sonhar, e de amar.
Depois que você cresce passa a ter mais cautela com o que você chama de amor, pisa com cuidado nesse terreno, afinal você já possui inúmeras cicatrizes que te lembram o quanto isso pode ser perigoso. Com os sonhos, é a mesma coisa: você já deu cabeçadas e já tem decorado metade do labirinto, sabe o que é impossível, e isso limita você.
O que acontece é que, felizmente, aprender a se proteger não significa parar de se machucar.
Isso mesmo, felizmente. Ou você não se lembra de tudo o que aprendeu com esse machucados, e de onde já chegou depois de todas essas lições?
Eu não me preocupo com a dor. Não me preocupo com o problema. Não tenho medo de acabar chorando por algum motivo (ou alguma pessoa). Eu me preocupo com o que não vai embora. Com o que você finge ter esquecido. Com aquele problema que você deixa de lado porque não encontrou a solução e continua andando. Só que ele está ali, olhando pra você. Ele é aquela etiqueta da camisa te incomodando mas que você não consegue rasgar. Porque essas coisas estão guardadas em alguma parte sua, e ninguém pode ter certeza do que elas causam à longo prazo.
De qualquer forma, mesmo depois de tantas mudanças, de tantas reviravoltas, de tantas surpresas boas, machucados ainda abertos e algumas novas cicatrizes, eu decidi o que estou buscando: O equilíbrio.
Eu quero o que está entre o tudo e o nada. Quero viver o que mora ente o máximo e mínimo. Quero ter tudo o que é necessário, quero ser metade defeito, metade qualidade. 
Porque eu descobri que a minha verdadeira felicidade é essa. Nem tudo, nem nada. O que é meu. O que eu sou. Não é onde eu posso chegar mas onde eu preciso. Não são as exigências do mundo, é o que o coração de cada pessoa exige pra dizer "Agora sim, eu tô feliz".

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