Essa coisa entre nós dois nunca foi fácil. Não estou dizendo que deveria ser, mas veja bem, você deverá concordar comigo que em certos pontos, tanto nos terríveis quanto nos maravilhosos, nós dois não demos trégua um pro outro. Nas pausas da nossa guerra de egos e nomenclaturas, enquanto nós cometemos o grande erro de deixar de viver o que éramos por não saber como chamar, e durante algumas concessões da nossa confusão de sentimentos, eu saí em busca de descobrir um gosto de paz em outras bocas.
Houve caras que, meu Deus, você deveria conhecer. Alguns te dariam aulas de etiqueta. Do que é ser maduro, de como é ser sincero, das regras de um jogo limpo entre um homem e uma mulher. O problema era que um deles não sabia fazer a sua cara de bobo contra minha cara de brava. Teve outro que não ficava tão bem de cueca boxer (existe alguém que não fica?). Eu estava quase me apaixonando, quando descobria que ele também gostava de comédia romântica e não dormia nos filmes que eu escolhia. Como assim nós não vamos assistir Rocky 4? Ah, e aquele incrível, como se chamava? Ele era ótimo, não fosse pelo fato de ter que explicar minhas brincadeiras irônicas e ele nunca fazer cara feia pra me ajudar na cozinha.
A intragável verdade, é que só me dei conta de que eu amava você depois de conhecer a maior parte dos seus defeitos. A triste realidade, é que a fragilidade que nós sempre tentamos manter escondida nos trouxe mais pra perto um do outro. E nesses pequenos detalhes, totalmente alheios ao meu raciocínio, eu fico tentando explicar como é que um sorriso maldoso pode fazer tanta falta em um dia de sol. Fico procurando a lei que explica esse círculo de paz que o som da sua voz exerce ao redor de mim. Eu já li o dicionário e procurei enciclopédias que expliquem como uma provocação sua pode me fazer sorrir mais que os dez buquês de rosas que outro cara me mandou. Você me desenhando numa folha rabiscada e nós dois rindo das nossas palhaçadas, vale mais pro meu coração idiota do que as cartas daquele cara que eu conheci na livraria e que sabia recitar Vinicius sem olhar o livro.
E por mais que eu queira guiar meu coração a ser o melhor para quem realmente está disposto a pagar os preços do meu sorriso, eu seria hipócrita não reconhecendo que só você o rouba de mim. Pelo menos assim: fácil, sem esforço, quase natural. 
Talvez amar não seja mesmo uma questão de merecimento.  Já pensou que louco se nossas almas simplesmente tivessem se escolhido e ponto? Talvez eu devesse encarar a realidade de que sou irrevogavelmente apaixonada pelos teus defeitos. Por todas as cicatrizes e choros que você contém. Pelas tuas verdades mentirosas e tuas incertezas sempre tão lógicas. Pelos seus melhores pesadelos e mais sérios erros. Por esse jeito genioso de agir, de olhar, de viver.
Talvez a gente devesse soltar um pouco do certo e do errado, abrir mão do rótulo que as nossas mãos dadas representam, esquecer um pouco a opinião dos amigos e a nossa. Entender que nós somos um, e que isso... Não vai dar mesmo pra explicar.

Comentários
0 Comentários

0 comentários:

Postar um comentário