It is not about the Happy Ending. It is about the Story.

Aqui do alto quase não dá pra imaginar que cada pequena luz acessa nas janelas de tantos prédios equivale à uma vida, ou mais que uma. Uma breve história rabiscada pelas mãos de quem mal havia aprendido à escrever. De quem não sabia para onde estava indo, ou que jamais acreditou ser o autor do próprio destino.
Pra uns, a vida apenas acontece.
E quando nós temos a ousadia de permitir que ela simplesmente aconteça, tramas inimagináveis se desdobram, e nós assumimos todos os papéis possíveis. Fazemos, dizemos, e vivemos pequenas escolhas embaladas pela fina neblina do desconhecido, submersas em razões que nossa finutude desconhece, desenhamos com os dedos o nosso destino e o alheio, e sem perceber, construímos o universo.
Nós,
tão pequenos,
primeiro formamos um,
então nos amamos,
porque mesmo amargamente,
preciso admitir que o amor é mesmo a força que move tudo,
depois somos dois,
e então alguém novo,
torna
ama
desenha o destino
e o vive sem perceber.

Ela tinha quinze anos. É a idade onde as coisas são mais intensas e mais engraçadas que o normal, embora esse conceito seja tão relativo.
Ele tinha dezoito anos. É a idade onde nada é tão sério quanto se diz ser.
Mas eles deram a sorte de cruzar o mesmo caminho. E o azar de cruzar os olhos e encontrar um sorriso. Eles deram a sorte de pensar do mesmo jeito e fazer tudo diferente. De se completar da maneira que só os quebra-cabeças fazem. Experimentaram  não apenas as palavras doces que o dicionário ensina, mas as que nós ainda não nomeamos. Seguraram o mundo na palma das mãos um do outro, por poucos segundos, e nada poderia ser tão leve.

Ela fez trinta anos. É a idade onde geralmente se consegue (ou não) as coisas que a sociedade nos ensina serem necessárias.
Ele fez trinta e três. É quando se tem menos cabelo e nem tanto fôlego nos lençóis.
Ela se casou, mas não foi com ele. Ele esteve ocupado com as coisas do escritório e a saúde não vai bem. Se casou também. Tem uma menina de três. Eles são amigos, ou melhor, são vizinhos. Ela mora na casa da rua de trás e não teve filhos. É difícil dividir uma parede com alguém com quem já se dividiu um coração.

Ela tem linhas ao redor dos olhos e tinge o cabelo à cada quinze dias. É bonita da forma como se pode ser ao 44 anos. Ele tem olheiras fundas e escuras e é grisalho. O médico está preocupado com o colesterol, ele não. Ás vezes carrega a sensação de já ter vivido o suficiente.
Ela já não mora na casa da rua de trás. O lugar se tornou um memorial de lembranças desgostosas após o divórcio. Teve um filho, que já é rapaz. Ele teve mais dois, também de certa forma crescidos.
Um dia desses, por acaso, eles descobriram que se amavam. Assim: de repente. Com casamentos feitos e desfeitos e mais de quatro visitas separadas à maternidade. Depois de terem feito vidas e vivido as próprias. Descobriram que o mundo ficou pesado depois do tempo. E que precisavam um do outro.

Ela namora.
É assim que gosta de dizer.
Não menciona que o seu namorado tem uma mulher.
Ele à ama tanto quanto ao casal de filhos que não pretende machucar com mais um divórcio. Talvez um pouco menos.
Passam finais de semana escondidos. Pouco se falam ao celular. Ele já não procura mais a esposa, e acredita que ela também já tenha um namorado. De casal, amigos, amantes, pessoas normais seguindo o fluxo da vida, se tornaram pai e mãe apenas. As sensações, as frases, cartas, risadas e presentes, ele divide com ela, a namorada.
Amam-se.
Dividem-se.
Fizeram escolhas,
e as suas escolhas
os fizeram.
Sem perceber
Desenharam um destino triste,
uma história que há muito aguarda o 'felizes para sempre'.
Agora, daqui do alto, eu fico pensando
Se é esse mesmo o final desse destino
Ou se o final feliz
que tanto procuram,
É destino daqueles que sabem o que querem.

E só deles. 
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