Trilha Sonora:



Essa coisa que eles chamam de Felicidade, ou Alegria, ou paz de espírito, até mesmo de "estar bem", eu já experimentei isso.
É como sentir a boca encher de água ao lembrar do sabor da comida da avó. Mas o que costuma encher de água são meus olhos. Sorrio... Como teria sido a minha história se todos os minutos que eu gasto chorando tivessem sido gastos fazendo a coisa certa? Não sei. Poucas coisas sei. E na verdade não tenho nenhuma certeza. Apenas aquela de que as certezas não derivam de muito pensar.
Eu lembro do gosto disso todo dia. De como era bom pro espírito caminhar no meio das cinzas com uma razão pra sorrir bem presa entre as mãos. Mas a verdade é que nem mesmo essa maravilhosa sensação me tirou da cabeça a ideia de sumir. Faz anos que ela me acompanha. Eu a percebo em todos os meus gestos e todas as minhas palavras, sejam ditas, escritas ou pensadas. Uma vontade um tanto absurda de simplesmente ir embora. Não ser quem sou. Trocar de nome, de cara, de cabelo, de país. Assinar o próximo bilhete aéreo só de ida pro fim do mundo com nome novo. Nunca mais olhar pra trás.
Imagino o número pequeno de pessoas que se sentiriam aliviadas. Não me importo, sinceramente.
Me importo com o número ainda menor de pessoas para as quais significo alguma coisa. Ou coisas demais. Um mundo todo. Você pode até achar que estou sendo pretensiosa, mas a gente nasce e morre sem saber pra quanta gente nós já significamos tudo. E são com essas pessoas que deveríamos nos importar, de fato. Ou pelo menos tentar.
Metade dessa vontade está contida em mim e nas centenas de personagens que eu já criei em todos os meus textos, mesmo os que ainda não foram publicados. Tudo fala um pouco sobre o medo de ir ou de ficar.
Eu sentiria imensa saudade de quem eu construí até aqui. São as outras circunstâncias, aquelas que são tão alheias mas que mesmo assim me afetam tanto, que me causam essa imensa vontade de dizer o último Adeus ao espelho e  apagar toda a minha história. Impossível? Da memória talvez. Mas a sorte é que ela só pertence à mim. 
Cansei de contar as vezes que me peguei pensando nisso. Desejando que pudesse viver em um mundo onde todos esses valores sobre família e vida e estudo e tudo o mais não fossem assim tão importantes. Ou que pelo menos existisse a possibilidade de trocar.
Essa semana vi uma frase em algum lugar que não me lembro: "Alguém costuma orar todas as noites pelas bençãos que você recebe sem perceber". Verdade ácida. Talvez a principal das razões que me fazem permanecer onde estou e como sou. Eu só não sei responder por quanto tempo.
Pra onde eu iria? Isso não importa! Quero o próximo bilhete pra Malta, Bari, Istambul, Dublin, Sri Lanka, Taiwan, Malásia, Hong Kong, Villefranch, Passárgada que seja! O meu único desejo é encontrar o meu lugar. Onde não exista passado nem futuro. Ou pelo menos onde tudo isso deixe de me machucar. Onde hoje seja meu último dia. E nada importe tanto quanto viver.
Menos um...
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