Trilha Sonora:



Eu sou um daqueles caras que já nasce com o destino traçado. O meu era dar certo, não importa como. É verdade que funciona de um jeito diferente pra cada um, mas se já existe uma receita de final feliz, ficar atirando no escuro não faz nenhum sentido. Eu já sabia exatamente qual era o meu caminho antes dela chegar, mas ela estava meio perdida ainda. Com o passar do tempo eu fui entendendo que isso tudo era só mais um desencontro.
Aquela velha história de pessoa certa e hora errada. Esses 'blá blá blás'.
Nunca acreditei muito nessas coisas, mas cara... Depois do furacão que é amar alguém você fica meio sem saber no que acreditar. Preciso confessar que quase me perdi do meu caminho. Nem me reconheço nas coisas que eu fiz depois de perceber que era hora de seguir. E só de pensar que à essa hora ela deve estar em um avião rumo ao desconhecido, meu Deus, como isso é desconfortável.
Hoje eu acho que alguma parte de mim sempre soube que isso não ia dar certo. Existem momentos na vida que a gente simplesmente atrapalha tentando ajudar. Não a culpo por ter escolhido trilhar o meu caminho, acho que qualquer um faria o mesmo estando tão perdido. Dava pra ver nos olhos dela, sabe? "Quem eu sou?" "Pra onde eu vou?" "O que é certo e o que é errado?". Mas a minha receita, meu exemplo, minha história, jamais fariam dela uma pessoa completa e realizada.
Eu disse tão poucas coisas ao telefone...
"Vou deixar a chave do apartamento com Nancy". Eu amava aquele lugar. Semana passada nós discutimos sobre a cor da parede da sala, mas sério, eu pintaria até de azul marinho se ela me pedisse. Não era o lugar, era ela. A nossa casa, o nosso lar. Ela nunca vai saber o quanto tive que ser forte pra entregar aquela chave sem chorar.
"Desejo tudo de melhor pra você". Ok, eu não sabia bem o que dizer. Fiquei ensaiando a madrugada toda, mas na hora as palavras simplesmente fugiram da minha boca. Tudo bem, não é mentira, é claro que eu desejo o melhor pra ela. Só não queria que soasse algo hipócrita demais como "Tomara que você se case com um francês babaca que não toma banho e tenha 4 filhos".
"Espero um dia reencontrar você". E tenho sonhado com isso as últimas sete noites desde que você se foi, talvez essa fosse a continuação da frase se eu estivesse ligando pra ela hoje. Fomos noivos durante muito tempo e não me orgulho de ter deixado tudo ir tão longe. Mas se você experimentasse por um dia aquele brilho nos olhos que ela tinha quando olhava pra você, ou aquele sorriso recompensador, também ia achar difícil desistir. Espero que nenhum francês maldito saiba do que estou falando.
"Eu te amo". Péssimo de se dizer numa hora dessas, eu concordo. Mas talvez aquela fosse a minha última chance. Sobraram apenas expectativas, e a maioria delas não depende mais de mim. Eu espero que um dia ela entenda que só tomei essa decisão porque a amava demais. Espero que ela não me odeie por isso. Que eu tenha feito a coisa certa e que o Céu não me castigue por ter feito ela chorar. Cada lágrima de choro que ela derrubou significa uma gota de sangue minha, por mais exagerado que isso possa parecer. Então acho que ter que seguir em frente sem saber quando nem como vou encontrar ela de novo, já é castigo suficiente. Eu sei, é babaca essa história minha de reencontro. Vai saber o que vai ser das nossas vidas amanhã... Mas a verdade é que se eu soubesse que daqui a 5 ou 10 anos vou ver ela atravessar a rua, com o mesmo sorriso e finalmente andando no próprio caminho, tudo isso já valeu a pena.
O que dói é não saber de nada. São todas as probabilidades boas e ruins com a mesma chance de acontecer. Me disseram que não vai doer pra sempre. Olha, eu não sei. Metade das minhas certezas estão trabalhando em Paris.
Comentários
0 Comentários

0 comentários:

Postar um comentário