Estou à ponto de escolher nunca mais dormir.

Morrer de insônia parece cada vez mais tentador perto da alternativa de ter esses pesadelos. 
Tudo o que eu tenho sonhado nas últimas noites me coloca numa guerra de egos entre meu lado lógico, tão preciso e aguçado, e meu lado que admite existirem coisas sem explicação. Essa é parte que me perturba tanto: os motivos ocultos por trás de cada aviso.
Alguns são apenas sonhos, resultado de dias cansativos ou muito café. Outros simplesmente transportam para lugares que nunca são confortáveis de estar. 
Acho engraçado a mania que as pessoas tem de querer adivinhar o futuro. Desde um inocente horóscopo na última página da revista até uma ousada visita à cartomante, tudo isso perdeu o sentido no exato momento em que o meu primeiro sonho se concretizou. Acredite: não é a sensação mais prazerosa do mundo. Acordo suada, algumas vezes exausta, quase sempre alarmada, com o pensamento mais confuso que uma avenida de tráfego em Bali... Só há uma voz ecoando em mim que se pode ouvir com clareza, e ela diz "não é só um sonho dessa vez".
A verdade é que saber o que está para acontecer não me perturbaria tanto se dissesse respeito apenas à minha própria vida. Mas e quando eu sou mera expectadora, ou mera coadjuvante, de um aviso que nem mesmo consigo explicar, como faz? Desespera-se. Depois respira-se fundo. Tenta encaixar as peças. Às vezes compreende-se. Outras vezes se engole à seco. Daí se olha no espelho e pensa... "E agora? O que eu vou fazer com isso?"... "Será que Deus não entende que não é problema meu?"... "Por quê pra mim? Eu não posso fazer nada!"...Então se pega no sono outra vez.
Alguns dizem que isso na verdade não existe. Que a gente acredita tanto que um sonho bobo contém na verdade, uma revelação, que acaba atraindo isso tudo. Talvez... Ninguém mais do que eu defenderia um pensamento como esse se eu simplesmente não tivesse visto todas as metáforas dos meus últimos sonhos se materializando em vida real. Na minha, na de gente próxima, na de gente estranha. Tão estranha quanto eu.
Outras pessoas tentam me confortar com a ideia de que a gente enxerga aquilo que quer. O  que significa que sou eu quem está tentando encaixar os meus sonhos nas coisas que aconteceram posteriormente à eles. Como se eu não quisesse concordar. 
Sinceramente, eu não sei. Mas me pego tomando várias xícaras à mais de café pra ter alguém pra culpar e tentar me convencer de que foi apenas mais um sonho,
sem sentido,
sem explicação,
sobre coisas que já não me dizem respeito,
com pessoas que não conheço,
e com outras,
que conheço bem demais 
pra ser saudável.

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